Estruturas libertadoras
- Renato Arruda
- 21 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Em um mundo que inovar não é mais uma escolha, seguir com o jeito convencional de conversar é garantia do resultado também ser convencional…
Líderes estão acostumados a usar as mesmas 5 técnicas convencionais para conversar: palestra, discussão mediada, apresentação de resultados, brainstorming e discussão aberta.
Convencionalmente essas 5 técnicas tão conhecidas deixam o controle na mão de quem "puxa a conversa" ou soltam o controle para "quem recebe a conversa" de forma desestruturada. E normalmente se o objetivo é um acordo ou uma decisão, sempre alguém sente que "teve que engolir" algo que não queria. As conversas convencionais geram muitos "inconversáveis"!
Isso sem falar nos demais “detalhes” que também são padrão para as conversas: almoços ou jantares, escritórios ou salas de eventos e até aquele momento a sós de desclocamento ou viagem. E sempre com o mesmo tom de voz e corpo, as mesmas mesas, cadeiras, telas, projetores e coffee breaks.
Como diria Albert Einstein: “Insanidade é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes”.
No projeto Liderança Feito de Futuro do Itaú Unibanco com a Atma Genus aprendi novos jeitos de conversar e uma técnica que despertou muito minha curiosidade foi a das Estruturas Libertadoras, método de Henri Lipmanowicz e Keith McCandless trazido ao Brasil pelo casal Fernando Murray Loureiro e Carolina Ribeiro de Almeida.
De tão simples e fáceis, e com a intenção verdadeira dos autores de disseminarem ao máximo as Estruturas Libertadoras em casa, na escola, na família, no trabalho, em projetos sociais e etc me senti LIVRE para ler o livro (obrigado Flávia Duarte !), comprar os cards, participar de dois encontros no Zoom com Fernando e Carol, e naturalmente as oportunidades de aplicar o aprendizado foram surgindo no dia-a-dia.
A primeira foi naquela protocolar conversa buscando minha filha na escola. Ao invés do “Como foi seu dia?” seguido de respostas cada vez mais “adolescentemente” lacônicas, mudei vários elementos da conversa.
Deixei o carro a um quarteirão da escola, comprei uma água de coco no caminho, e quando nos encontramos eu disse “Que bom te ver filha, me dá um abraço?!” Depois dos primeiros passos e goles de água de coco eu falei “E aí, filha, qual foi a coisa mais incrível que aconteceu hoje?”
Para minha surpresa a resposta foi: “Eu estou namorando!”
E então minha resposta: “Que novidade! Me conta como é namorar para você? Tenho certeza que deve ser diferente do que é para mim.”
Então vieram 30 minutos de falação sem parar.
Acabei tomando toda a água de coco escutando sobre como namorar para essa menina de 11 anos é dizer sim a um bilhete de pedido de namoro, é jogar no mesmo time futebol e sentar junto na cantina.
No final ganhei um abraço seguido de "Que bom conversar com você, Pai. Minhas amigas me falaram que você ia ficar bravo mas eu achava que não.”
Sem dar todo o crédito da conversa inesquecível à técnica das Estruturas Libertadoras não posso deixar de lado a capacidade da minha filha para conversar. As crianças de hoje tem uma liberdade e abertura para colocar de maneira muito autêntica o que estão sentindo ou pensando.
Outro experimento foi em uma sessão de coaching executivo quando uma líder que eu acompanho declarou um duro embate com seu par que na visão dela entrava em um modo hostil e competitivo após o anúncio da saída do gestor deles.
"Ele quer a vaga do Diretor, e eu não, mas a maneira como ele tem me atropelado e invadido o meu trabalho é inaceitável!"
Depois de apoiar a coachee a mapear seu dilema por trás do embate.
"Gosto muito dele, trabalhamos juntos há anos mas se falo que estou com muita raiva perco a relação, e se não falo também!"
Usei uma EL - Integrated Autonomy - para que ela colocasse cada "pólo” do dilema em uma esfera oposta e aos poucos fomos conversando sobre as ações em cada cenário e então quais delas poderiam integrar os dois extremos.
Ao chegar às ações integradoras, no momento seguinte da nossa conversa, ela decidiu abrir um diálogo com o par, e pediu que praticássemos a conversa.
"Foi libertador reconhecer a minha raiva e abrir possibilidades de lidar com ela." disse a coachee ao final da sessão e saímos do Zoom ao som de St. Anger do Metallica!
Então, se nas conversas familiares tenho aprendido muito com as crianças sobre conversar, nas empresas as novas gerações tem me mostrado como são corajosas suas falas, e também acolhedora sua escuta. Os jovens líderes têm uma abertura e curiosidade para conversar impressionante!
Ousadamente mudando a famosa frase de Fernando Pessoa: “Somos do tamanho dos nossos sonhos.” ouvi de uma amiga facilitadora de grupos:
“Além dos sonhos, somos do tamanho das nossas conversas.”
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