top of page
Buscar

O poder das emoções

  • Foto do escritor: Renato Arruda
    Renato Arruda
  • 1 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

As primeiras emoções que lembro sentir são ternura, medo e alegria.

Ternura dormindo no peito do meu pai, ganhando cafuné da minha mãe e fazendo carinho em um animalzinho.


Medo era do escuro, de ficar sozinho e de me afogar nos diversos caldos que eu tomava no mar.


Alegria era festa de aniversário, férias com minhas primas e andar de bicicleta.

As demais emoções vieram mais para frente e foram ficando mais confusas e complexas de entender. Culpa ou tristeza? Vergonha ou ansiedade? Raiva ou frustração?

Explicar, conversar, aprender ou ensinar sobre emoções não era comum. As minhas eram acolhidas com um abraço, um beijo e um colo. E às vezes, não pelos meus pais, tolhidas “Chega de birra”, “Pára de frescura”, “Seja forte não tenha medo” e “Ele é muito emotivo” na escola, no esporte ou por outros adultos próximos.


Mais tarde na adolescência esse repertório emocional me ajudava no teatro, nas apresentações em público, como representante de turma, orador na formatura e principalmente cativando os adultos com oratória e carisma. Sem saber o que era o poder das emoções, eu me questionava se era legítimo ou não ocupar estes papeis de destaque?!


Na faculdade e nas primeiras experiências profissionais essas mesmas emoções me ajudaram mais ainda. Dinâmica de grupo em processos seletivos para estágio era “minha praia” e estar nesse lugar de destaque era “ser talentoso”, então rapidamente fui recebendo reconhecimento.


Até que cheguei nas posições de liderança. Aí o vento mudou… Recebi feedback de alguns líderes que eu compartilhava muito minha vida pessoal, que me envolvia muito com a equipe e que eu precisava ser mais duro e exigente.


Na minha primeira posição de diretoria em uma nova empresa segui esse conselho e saiu tudo mal, muito mal! Me vi mordaz, sem escuta, irascível e intempestivo. Perdi o time mas o pior, perdi minha essência com crises de stress, ansiedade e insônia.


Levou um ano para voltar ao meu centro, com ajuda de terapia, coaches, além de uma parceira de RH que incentivava minha autenticidade e essência como potências! 


Em um momento marcante com toda a equipe, abri uma conversa sincera sobre minhas emoções, sobre meu momento e meus sonhos. Me senti totalmente exposto e frágil ali no meio de 50 pessoas e foi como desatar um nó! Ouvi falas corajosas, recebi acolhimento, todos com emoções à flor da pele e uma nova equipe surgia. Foram mais 5 anos naquela empresa com muuuuuito crescimento e aprendizado a partir daquele “desatar de nós emocionais!”


Essa foi uma das experiências que me formou como líder, me marcou como profissional e em um momento que surgiam Brené Brown, Simon Synek e companhia eu podia não mais voltar atrás. Virei um ativista da vulnerabilidade e das emoções no mundo do trabalho.

Porém, foi somente na pandemia que tive um primeiro letramento sobre o mundo emocional. Na formação de Coach Ontológico na Newfield Network , El Arte del Coaching Profissional (ACP) aprendi pela primeira vez sobre as emoções básicas: alegria, ternura, erotismo, tristeza, medo e raiva. Entendi que não existem emoções boas e ruins, todas tem seu valor e papel a cumprir. Vivenciei como todas se manifestam no corpo, e a palavra incorporar passou a ter outro sentido. 


Então como um ativista do mundo emocional e um eterno aprendiz nesta área, celebro como a sociedade moderna tem trazido o campo emocional para o palco e para a telona ou telinha.


Nos palcos das empresas e nas mesas de jantares vejo cada vez mais a conversa sobre emoções rolar de maneira livre e solta. 


Nos clientes que atendo como facilitador e coach já escuto frases como “Estou com medo. Estou com raiva. Estou triste.” em reuniões e conversas que antes não "eram profissionais".

Entre amigos e família principalmente as crianças vem provocando esses papos para declararem e aprenderem sobre suas emoções.


Na telona assisti aos 47 de idade Divertidamente 2 como quem assistia Top Gun aos 11 anos, celebrando aquela magia cheia de imagens e diálogos potentes e transformadores.


Claro que ainda temos os frios e calculistas que se assustam com as emoções, que temem aquilo que não conhecem ou controlam, mas estes talvez também se rendam à humanidade, afinal somos a única espécie que precisa ser em sua definição. Nunca estamos prontos! Estamos sempre sendo, humanos.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Estruturas libertadoras

Em um mundo que inovar não é mais uma escolha, seguir com o jeito convencional de conversar é garantia do resultado também ser...

 
 
 
ENTREPENEUR

Abri a agenda da escola da minha filha e me chamou atenção uma anotação "Bisines Plan". Sorri de canto e puxei uma conversa com ela....

 
 
 
Cansaço sagrado

Li no  REStart Me Up  de  Alexandre Campos de Souza  e outros autores que o trabalho é um dos poucos motivos válidos na nossa sociedade...

 
 
 

Comentários


VAMOS CONVERSAR?

  • Whatsapp
  • Instagram
  • LinkedIn

© 2025 por Renato Arruda. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page